Arquivo para catamarã

Mar, ilha e terra.


Foi assim, saímos de Natal no sábado pela manhã e como já era previsto tudo muito calmo, risadas e um bom vento nos esperando do lado de fora do rio. Mas derrepente os risos e as piadas foram substituidas pelo famoso barulho do chuaaaa, chuaaaaa e mais chuaaaaaaaa.

Então eu disse, vou dormir, ai ouvi também alguém dizer vou para o quarto… ah algumas risadas de Lúcia e pronto, só estava o Eduardo Zanella no comando e eu deitado por lá.

Como dizem, existem muitas formas de marear e a minha como já é bem conhecida, venho o sono. E põe sono nisso, foram 17 horas de um calmo e profundo soninho de bebe, que resultou na minha melhora.

Quando acordei, entrei na rotina do barco. Foram turnos de comenado alternados entre eu, Eduardo Zanella, Comandante Cotonete e o Guilherme (primo do Edu).

O vento de polpa nos colocou numa situação facil de navegar, e assim foi até Fortaleza, com ventos de 7 a 9 nós. Dai por diante, veio uma calmaria que me deixou assustado. Imagine ventos de 3 a 5 nós, e nada a milhas de distância. Entendi por que muitos velejadores dizem que o melhor é o vento forte do que a calmaria, pois eu fiquei perdido no barco, sem saber o que fazer. Por mais que hora ou outra rolasse um DVD, muita comida e boas conversas, a calmaria é algo que incomoda e muito o velejador.

Enfim, motoramos por 4 dias, e ai conseguimos voltar aos nossos 7 e 8 nós de velocidade, mas um detalhe não pode faltar, a correntes ajudam muito nessas horas e o barco só teve este bom desempenho no motor, pois na carta piloto achamos os canais de correntes marítimas com até 3 nós de velocidade.

Dai chegamos ao nosso primeiro porto seguro, as ilhas de Salut (Îles du Salut), mas essa história ficará para outro post!

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Catamarã hi-tec Gênio ou loucura?

Estive conversando com Zeca, nosso amigo, velejador e grande mestre da classe catamarã oceânica, e ele comentou sobre os catamarãs com vela rígida. Isso me chamou atenção e no mesmo dia iniciei uma pesquisa na internet e descobri algumas coisas bem interessantes, entre elas um vídeo que mostra o funcionamento da vela rígida e já aproveita para preparar o espírito dos apaixonados pela America´s Cup.

Como muitos sabem, a próxima Copa América, edição 34 vai ser disputada em 2013, na baía de São Francisco, com os novos catamarãs de 72 pés de vela rígida. Um deles é o AC45, que no video abaixo mostra o seu potencial nas águas em Auckland.

Texto escrito por Luiz Felipe.

Novo CAT na água

Estou publicando uma novidade que me deixa muito empolgado, pois é uma empreitada de um empresário brasileiro que acredita no iatismo. Estou me referindo ao TOM, proprietário da loja náutica TOM & CAT, que acaba de lançar depois de muitos testes o novíssimo TomCat Race durante a Regata de Abertura Guarapiranga 2011 neste último final de semana.

Busquei algumas informações e o catamarã não deixou nada a desejar, pelo contrário, obteve um ótimo desempenho bem além do esperado pelos mais incrédulos. Os amigos que tiveram contato com o barco me falaram que o projeto é muito bem feito e tentador, pois o barco é uma máquina de voar.

Já disponível para test drive, o barco se encontra na loja para maiores detalhes, inclusive de vendas.

TOM & CAT
AV JOÃO DIAS, 471/477
SANTO AMARO SÃO PAULO

Horário de Atendimento
Segunda à Sexta das 09:00 às 18:00 horas
(trabalhamos de portão fechado)

Site
http://www.tomcat.com.br/

Telefones
(11) 5687 2681 – 5686 0814 – 5683 2908
Nextel ID 55*82*40912

Catamarã é arte

Nesta semana, visitei o ateliê do amigo Flávio Freitas que fica no bairro da Ribeira (alí na rua do Buraco da Catita) e quando cheguei no seu local de trabalho, normalmente meio bagunçado com muitas tintas,  pinceis e telas espalhadas para todos os lados, me deparei com uma obra magnífica que ainda estava em fase de conclusão.

É um trabalho em PB, feito sob encomenda a um cliente que retrata um catamarã e suas viagens. A obra dispensa explicações, e traz traços característicos do artista, como a boa e velha bicicleta circulando em ondas lúdicas que se misturam com a sensação de marolas produzidas pelo lemo do barco. Outros detalhes são muito peculiares de sua obra, mas a questão é a beleza de se retratar tantos cenários em uma única tela, sem perder o seu encantamento. É uma das primeiras obras que vejo de muitas que conheço, onde um Catamarã é retratado.

Para todos que gostam de catamarã e de obra, este post foi escrito para vocês.

Para quem quiser conhecer mais obras do artista, pode entrar no flickr da DzoDzo Creative Design e apreciar outros trabalhos.

Homenagem ao Reg White

Reg White vence o Campeonato Mundial de 1979 Tornado

Muitos sabem que iniciei este blog pela verdadeira paixão que tenho por catamarãs em geral. No meu ponto de vista, os cats são a evolução da vela em todos os sentidos. Evolução pois esses barcos tem alta performance, conforto e alto poder de navegação em litorais. Porém o meu interesse maior é em cats de 20 a 14 pés, afinal esses são os barcos de regata onde a habilidade do iatista é reconhecida como essencial. Então, não poderia deixar de falar sobre Reg White, mais conhecido como o pai das regatas modernas de multicascos, que faleceu em maio deste ano aos 74 anos de idade, enquanto navegava no seu último projeto acompanhado de seu afilhado, no lago de Brightingsea na Inglaterra.

Nascido na cidade da costa leste da pequena Brightlingsea (famosa por suas ostras e marinheiros que equiparam os grandes iates entre as duas guerras), em outubro de 1935 nasceu em uma família de comerciantes de ostras e cresceu à costa. Desde muito cedo, iniciou na vela, mas foi quando fez um estágio no estaleiro de construção naval James & Stone, que sua habilidade floresceu.

Reg ficou provavelmente mais conhecido pelo seu envolvimento com Rodney March no projeto do radical catamaran Tornado que foi selecionado como o barco para a classe Olímpica. Reg tornou-se o construtor da classe juntamente com o seu filho Rob.

Um velejador de multicascos realizado, Reg ganhou a medalha de ouro na Classe Tornado nos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976, juntamente com John Osbourn. Foi também Campeão Mundial da Classe em 1976 e 1979.

A sua carreira como velejador de multicascos iniciou-se em 1960 com a Litle America’s Cup tendo o onipresente Reg White, passado a ser sinónimo de tudo o que tinha a ver com o sucesso dos multicascos na Inglaterra e internacionalmente. Ele foi o skiper do muito bem sucedido catamaran Lady Helmsman C-Class que foi o primeiro veleiro com asa, a ganhar um importante troféu de vela.

Reg casado com Lyn, sua namorada de infância tiveram três filhos e uma filha, que criaram quatorze netos. Reg gostava de ser um homem de família e foi muito amado por todos seus membros. Seus últimos dias estava testando um novo projeto lançado no ano passado, que ele iria correr com os membros de sua família. Foi a bordo deste barco, White Spirit, que correu na noite de quinta-feira com seu neto Rupert, quando sofreu um ataque cardíaco fulminante.

Sem dúvida, demorei para escrever este texto, pois não queria ser sensacionalista, mas agora depois de alguns meses, me sinto orgulhoso de poder dizer que Reg teve um final de vida honrado, fazendo o que mais gostava e no núcleo de sua família que o amava tanto.

Noticia

Perfil de um dos participantes

Ocorreu nesta semana a 22ª Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha, com barcos de várias classes em uma competição que é aclamada por muitos, como a maior regata brasileira de vela oceânica. Aqui de Natal sairam 3 barcos para a competição, sendo que um deles é o Muakã, um aprumado e vitorioso catamarã de 28 pés, do nosso amigo Gilson, companheiro de palhoça e um velejador muito experiente que já estpa em sua 8ª velejada para Noronha, sendo a 5ª pela Refeno e a 3ª no Muakã.

Antes da sua largada de Natal, ele passou alguns dados sobre o perfil do seu barco que eu achei bem interessante publicar aqui:

Muakã
Fabricante: Maramar em São Luiz MA
Ano: 1996
Medida:  28 pés “8,65 Mts”
Capacidade máxima: 1 tripulante e 10 passageiro
Deslocamento: Ao redor de 1.300 kgs
Peso: 1.500 kgs
Vela grande: 37 m2
Genoa: 16 m2
Buja: 4,5m2 e outra de 8,30m2
Classificação da última Refeno: 3ª posição na classe Multi D
Tempo da última Refeno: 62 horas (devido ao pouco vento que marcou a última edição)

Ainda segundo Gilson, neste ano a expectativa é de fazer em menos de 40 horas (acabou fazendo em 44:15:50 – bem próximo do planejado) o que daria uma média real de 7,5 knós, considerada muito boa pra um barco tão pequeno, e suficiente para andar junto com barcos de 35 a 45 pés, monocascos.

A tripulação será composta por Gilson, proprietário do barco, Cristiano um grade velejador, que competia com Gilson na classe Laser e o estreante Simarone, amigo de palhoça também e velejador de Flash.

Números Refeno
-141 barcos inscritos
-104 barcos largaram do Recife, sendo que 96 conseguiram realizar a travessia.
-Os barcos Sansara, Nativo, Macu, Lacrau II, Azogado, Safena, Luthie e Delirante tiveram problemas durante a travessia e retornaram a Recife e Natal.

Troféu Fita Azul
Ave Rara (Pernambuco) – Travessia realizada em 22hs54min57s

Confira alguns vencedores dos prêmios especiais:
Troféu Tartaruga Marinha (destinado ao penúltimo barco a chegar) – Tuta (Natal/RN)
Troféu do barco brasileiro mais distante – Rebojo I ( veio de Jaguarão/ Rio Grande do Sul)
Troféu do tripulante mais velho – barco Kon Tik (São Paulo), comandado por Joaquim Almeida Lopes de 86 anos
Troféu para o tripulante mais jovem – barco Tremujin, com o tripulante Luc Guimarães, de apenas dois anos

Wharram – Parte3

Finalizando uma seqüencia de 3 post´s que criei sobre os lendários catamarãs Wharram, começo este avisando que ele terá um conteúdo mais ameno, fazendo um reflexão sobre a sua história e sua realidade. É impressionante como as coisas bem feitas no meio náutico duram tanto tempo. Digo isso pois vejo hoje em dia tantos novos projetos de construção de catamarãs nascendo, e depois de três, quatro ou até uns cinco anos esses projetos mostram falhas, caem no desuso e então morrem.

No caso dos projetos Wharram, eles resistiram há anos de construções diversas, inovações tecnológicas e tudo isso com poucas criticas. Obviamente estes projetos não nasceram com a pretensão de serem reconhecidos como os melhores, mas sem dúvida alguma são muito bons e acarretam um saldo positivo não só na história, como nos sonhos de muitos velejadores que ainda pensam em construir um barco.

Acredito que este texto esteja falando com o coração de muitos que estão lendo este post, pois aprendi durante algum tempo estudando o Wharram, que quem se envolve com este universo, se envolve emocionalmente.

Um bom exemplo disso é o blog Catamaram Policat e Outros Temas, do meu webcolega Marcos.
Ele criou este canal para difundir a série Tiki 26, que mostra passo-a-passo as etapas de construção do projeto que ele executa, além de fazer defesas bem embasadas sobre o por quê escolher um catamarã, como pode ser ler no post de junho, publicado em seu blog.

Este blog é um bandeirante em meio a este universo pouco explorado no Brasil sobre a construção artesanal de barcos, portanto não deixem de visitar e se encantar com a capacidade do homem que ir além da sua rotina. E lembrem-se que todos nós somos capazes de irmos além, basta tomar a iniciativa e estudar as melhores soluções.

Parte 2 – clique aqui

Parte 1 – clique aqui

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