Terceira parada

Nossa saída de Kourou (leia-se curú), foi tranqüila e achamos  logo de cara um bom vento de través entre 16 e 18 nós. Para quem havia saído sabendo que pegaria calmaria o tempo todo, esse foi um ótimo começo e nos deixou bem empolgados, então logo subimos as velas (genoa e a mestre) e em poucos minutos na nossa proa aparece um veleiro que estava nas ilhas Salut em rota inversa. Foi uma espécie de tchau amigos, que durou uns 4 minutos silenciosos, e todos ficaram do lado de fora vendo o cruzamento das embarcações.

Eu estava bem cansado, e fui para a minha cabine dormir. Para a minha surpresa, quando voltei, vi pelo GPS que faltava apenas 15 horas para chegarmos. Questionei o que havia acontecido e o pessoal me explicou que resolveram parar no Suriname, pois o diesel era pouco para garantir uma boa velejada e chegar na data certa.

E assim fomos  para Paramaribo, capital do Suriname. Quando eu era mais novo, sempre brincava com primos e amigos dizendo, o que será que existe nestes três países do norte da America do Sul que nunca ouvimos nada deles? Estava prestes a descobrir mais um dos três.

A nossa chegada foi longa, pois as primeiras bóias da entrada de Paramaribo, ficam ainda em alto mar, há algumas milhas da entrada do rio, o que acaba criando uma expectativa de chegar rápido, mas que na pratica durou entre a primeira bóia e o fundeio, quase 3 horas de velejada.

Quando avistamos a cidade de dentro do barco, a minha impressão foi completamente diferente da nossa chegada de Kourou. Uma cidade com arquitetura bonita e vida ativa nas ruas, com direito até a um trenzinho musical para um passeio pela orla. Gostei e quando chegamos em terra, comecei a observar muitas particularidades com Natal. Uma dessas particularidades é o forte deles, que tem o mesmo formato de estrela do nosso. A cidade foi fundada por holandeses, o que me chamou a atenção na arquitetura. O trânsito é de mão inglesa, uma loucura.


Fundíamos o barco numa região bem próxima a prefeitura e logo descemos para conhecer a cidade. Andamos até um banco para trocar dinheiro, e em seguida fomos para o Burguer King comer e usar a internet.  Depois de atualizar os amigos, falar com a família e ler que o Google havia comprado a Motorola, resolvi andar um pouco e como o pessoal já havia ido na frente e eu estava só, passei um algumas lojas, conversei com algumas pessoas e minha boa impressão da cidade só aumentava.

Ao voltar para o barco, reencontrei com todos sentados em uma mesa de um agradável bar a beira do rio, com uma garrafa de cerveja aberta e sorrisos congelados. Então, depois de conhecer a cidade, a nossa missão era achar uma mini van para levar os galões de diesel para o posto. E comprar algumas coisas a mais no supermercado.

Ficou definido assim, eu e o Guilherme cuidaríamos da van e do diesel e o Nelson e a Lucia iriam ao supermercado.

Então saímos para resolver isso e quem sabe ficar mais um dia na cidade. Fomos procurar uma van de aluguel e nos indicaram um senhor o qual negociamos o valor depois de uma dura queda de braço. Quando perguntei qual o nome dele, nao tinha mais jeito, já estávamos dentro do carro indo para o posto, sentado ele no volante, Guilherme no meio e eu na outra ponta. Seu pinto, isso mesmo era o nome do senhor forte que disse que gostava de fazer musculação e que numa interpretação errada o Guilherme entendeu que ele gostava mesmo era de outra coisa.

Fomos ao posto, completamos os galões de diesel embaixo um sol muito forte e quando voltamos para o barco, o Edu disse que a imigração já havia passado por lá. Então começamos a fazer tudo de forma mais rápida para embarcarmos o mais rápido possível.

Paramos o barco ainda no mesmo rio, mas no local indicado pelo guarda da imigração, e lá passamos a noite de frente para um hotel que mais parecida uma casa de campo, muito charmosa e que me inspirou a construir uma igual para receber os amigos que chegam a Natal de barco.


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5 Comentários»

  Gilson lindbergh wrote @

Valeu Bira, uma grande viagem, e pena, (pra os velejadores, é que o vento não ajudou, e foi mais a motor, mas tenho certeza que valeu a pena. um abraço . Gilson.

  bcarratu wrote @

Valeu Gilson! Temos que colocar histórias do Muakã aqui né?

  Air wrote @

Que inveja Bira. Nós que gostamos do mar e de viajar não resistismos aos encantos da natureza

  bcarratu wrote @

kkkkkk, precisamos marcar uma velejada saindo de Salvador e subindo para Natal. O que acha?

  Há 1 anos atrás « Velejar wrote @

[…] Terceira parada: http://migre.me/aDOiV […]


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