Saída de Natal

Estou publicando este texto que é similar ao anterior, pois na verdade eu comecei a escrever no meu iPad durante a viagem e não consegui publicar os textos que estavam nele. Como é uma sequencia, irei publicar este para dar sentido aos que virão. Espero que gostem dos relatos da nossa viagem para Trinidad nos mares do Caribe.

Depois de uma despedida dentro do barco com muita conversa e boas risadas com os amigos Fernando, Mara, Afonso, Fabiola, Wagner, Elisa, Miltson, Lucy (minha querida espoosa) e nossas filhas, a tripulação composta por Eduardo, Nelson, Lucia, Guilherme e eu iniciamos no sábado de manhã as 6h a nossa viagem assistido de perto pelo silencio do calmo e velho Iate Clube de Natal.

A saída foi calma, durante o percurso do rio grande, mas quando chegamos na boca (encontro do rio com o mar) o balanço aumentou e muito. Então as conversas se cerraram e logo o cockpit do barco se esvaziou. Como sempre eu mareio de uma forma diferente da tradicional, eu durmo. Mas nesta viagem em especial eu dormi muito, cerca de 17 horas no primeiro dia. O Eduardo, comandante do barco, me disse que também estava com um sono anormal.

Ainda no primeiro dia, a noite, Lucia me deu um comprimido, que fez efeito em poucos minutos e então deixei de ficar com sono e comecei a render melhor e poder ajudar mais nos turnos que seriam definidos no segundo dia.

Já no outro dia, o Eduardo definiu os turnos de duas horas que faríamos a vigilância. O meu ficou das 6h, 14h, 22h e então comecei a me interar do funcionamento do barco, um catamaran leopard de 45 pés, muito bem equipado.


Depois de uma breve explocação sobre o GPS, radar, sonda, barômetro, motor, velas, piloto automático e outras coisas, já estava seguro de como ler as informações e como interpretar os comandos a serem dados no meu turno.

E assim começamos um rotineiro entra e sai de turnos, procurando sempre o que fazer quando estávamos desocupados. Eu aproveitei este tempo para ler algumas coisas que havia trazido no iPad, e testar softwares de área nautica, mas não pude fazer muita coisa, pois contava com o acesso da internet via global link que nao aconteceu. De qualquer forma, posso dizer que a carta nautica da Navionics, mesmo sendo off, valeu bastate para tirar duvidas e confrontar informações do GPS.

Cada dia que passava, estávamos fazendo mais coisas para ocupar o tempo e Lucia criado a todo momento pratos deliciosos para deixar a tripulação mais gordinha e feliz.


Eu sentia muita saudades das minhas mulheres (família), e isso me deixava um pouco deprimido, mas procurava aceitar a rotina do barco como uma forma de remédio da saudade.

Durante os turnos, a parte mais engraçada era sempre pela manhã onde todos acordavam em horários próximos e ficavam no cockpit até o horário do almoço para conversar ou ouvir as história de Nelson, e de seus amigos de Exu Queimado. Mas a noite, a tensão aumentava, pois em alguns momentos nos estávamos velejando a 50 metros de profundidade, a mesma profundidade que os pescadores jogam duas redes. E como a noite diminui o campo de visão, em alguns momentos nós passávamos próximo as bóias de pesca, e o receio de prender uma rede no leme ou no motor era grande. Para completar, o Eduardo disse que o pior problema que você pode ter, e se enganchar numa rede dessas, pois o pescador em alto mar anda armado e não conta conversa para resolver o problema.

E não deu outra, em uma dessas noites, nós passamos perto de uma das bóias, e um barco pesqueiro viu, e veio atras de nós. A tensão foi grande, apagamos as luzes do barco, colocamos o motor para render o máximo, e logo o barco desistiu. Nao sabíamos se ele havia feito isso para intimidar ou se era apenas uma manobra, mas esta resposta não saberemos nunca, ainda bem.

Ainda na nossa rotina, não faltaram muitos filmes, boas conversas e é claro muitas pegadinhas, todas devidamente registradas para a produção de um filme ao final para guardar de lembrança.

Particularmente eu estou extraindo lições neste cruzeiro, aprendendo a utilizar de forma prática os aparelhos de navegação, além de algumas lições mais emocionantes como subir um balão sem cometer erros básicos e acabar dando um jibe chinês (estou rindo com esta expressão enquanto escrevo).

Este é um momento único e muito feliz para este blogueiro que escreve muito satisfeito este texto feito ainda em alto mar. Sem duvida velejar é uma relação pessoal e de difícil explicação, ainda mais quando publicada da forma que estou fazendo, pois muitas pessoas irão ler este post e cada um interpretará a sua maneira o sentimento de velejar em cruzeiro.

Nosso primeiro destino serão as ilhas Salut que fica a 1400 milhas de onde estamos. Se tudo correr conforme o planejado em 7 dias deveremos chegar por lá. Mas ai já é outra historia que contarei em outro post.

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2 Comentários»

  papodevelejador wrote @

Tu tava rindo porque não deu um jibe chines né rsrsrs

  Há 1 anos atrás « Velejar wrote @

[…] 1 ano, selecionei os links e publiquei aqui.Sobre o barco: http://migre.me/aDOrnSaída de Natal: http://migre.me/aDOqQ Primeira parada: http://migre.me/aDOo5 Mar, Ilha e Terra: […]


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